sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Zebra? Ora, vamos…

A Inglaterra é a terra do futebol, não só por esse esporte maravilhoso lá ter nascido, mas também porque o inglês comum, o cidadão médio (uma ficção, mas sempre útil quando a gente precisa escrever alguma coisa e generalizar), realmente ama o futebol. Não ama somente seus grandes clubes presentes na Premier League, longe disso. O inglês é apaixonado pelo pequeno time de sua vila, de sua cidade, de seu condado, e mais que isso, está sempre presente nos jogos dessas equipes. É espantoso para quem se acostumou aos desertos estádios brasileiros, ver os números da quinta ou da quarta divisão inglesa. Há poucos anos, a média de público do portentoso Campeonato Brasileiro da Série A tinha uma média de público menos de 15% superior à média do campeonato da quarta divisão inglesa. Para mim a verdadeira terra do futebol é a terra governada por sua Majestade, a Rainha, por meio de seu primeiro-ministro.

Já andava aqui pensando em como fazer para assistir à Copa 2018 na Inglaterra. Pensando em fazer uma poupançazinha todo mês, começar desde já a dar uma burilada no meu inglês, e tal e coisa. Sim, para mim, e para os técnicos da FIFA, a candidatura inglesa era a mais solida e, tecnicamente, a mais indicada.

Pertinho dela, menos de um corpo atrás e também em pleno galope, a candidatura de todas a mais charmosa e agradável: Portugal/Espanha. Seria quase um segundo tempo de 2014, sem os problemas de estádios, verbas, forçadas de barra, etc, etc, etc. Tudo isso, se existisse, seria em outras terras que, por mais próximas e presentes em nosso DNA sejam, ainda assim são outras terras. Para nós ficariam os prazeres e o encantamento, sem as decepções e as dores de cabeça do processo. Dois países onde o futebol também encanta e apaixona o povo, com a vantagem de ter hoje, nesse Ano da Graça de 2010, o melhor futebol do mundo jogado pelo melhor time do mundo numa das mais fantásticas cidades do mundo. Ganha um doce quem acertar de quem estou falando.

Então, era claro que seria a terra da Rainha, dos Beatles, de Beckham a escolhida. E o governo inglês não mediu esforços para conseguir tal indicação, mas essa é outra história. Também era claro, para mim e minha ingenuidade, que se não fosse Albion a escolha, ela recairia sobre a Ibéria. Uma das duas antigas províncias romanas abrigaria a Copa 2018.

Venceu a Rússia. Da esfuziante Isinbaieva, grande jogadora, opa, desculpem, atleta maravilhosa, trocentas vezes recordista do salto com vara, confrontando David Beckham, craque do futebol e do soccer. Putin, primeiro-ministro russo, sequer dignou-se a acompanhar a votação, chamada por ele de “competição sem escrúpulos”, mas na hora decisiva elogiou os cartolas cujos votos definiriam a escolha da sede para a Copa.

A Inglaterra envolveu-se com essa candidatura, desde os torcedores até a cúpula do governo. David Cameron, primeiro-ministro, praticamente acampou em Zurique nos últimos dias, em corpo-a-corpo com os membros do colégio eleitoral da federação mundial do futebol.

Em vão, apesar do desempenho nos fatores de risco: em 16 itens analisados, a Inglaterra teve a classificação baixo risco em nada menos que 14, mesmo desempenho de Portugal e Espanha, com a diferença de ter o maior potencial de geração de receitas que qualquer outra candidatura, com 100% de potencial contra 91% da candidatura conjunta dos países da Península Ibérica, em avaliação da consultoria McKinsey.

Na Rússia pululam as avaliações “alto risco”.

Reparem que até agora nem citei a candidatura Bélgica/Holanda, que nunca foi encarada como tendo alguma chance.

Há hoje a opinião generalizada que as denúncias de corrupção de dirigentes da FIFA, membros do colégio eleitoral, feitas pela mídia inglesa, foram decisivas para esse resultado.

Sim e não.

Não, porque a decisão pró-Rússia já devia estar madura quando o programa Panorama, da prestigiosa e séria BBC, denunciou pagamentos feitos pela extinta ISL a dirigentes da federação mundial, diretamente (um deles o presidente da CONMEBOL, Nicolás Leoz, e a uma empresa registrada em Luxemburgo – também já extinta – de propriedade do presidente da federação brasileira, Ricardo Teixeira, segundo apurado por CPI do Congresso. Creio que a decisão já estava amadurecida também quando o Sunday Times, brilhantemente, denunciou dois membros desse colégio eleitoral, flagrados vendendo seus votos em armadilha montada pelo jornal.

Sim, porque uma candidatura como a que foi apresentada pelo comitê britânico e defendida pelo chefe de governo do país, pelo príncipe William, herdeiro da Coroa, e pelo astro David Beckham, com avaliações quase totalmente favoráveis em todos os pontos, ter recebido somente dois míseros e solitários votos em vinte e dois, é, no mínimo, inusitado.

Melhor que isso, é no mínimo estranho.

Muito estranho.

A zebra nunca foi a Rússia, sempre foi a Inglaterra.

Estavam certos os apostadores que cravaram Rússia e parecem ser melhor conhecedores do caráter, digo, da cabeça dos dirigentes do que eu e muitos outros.

Post scriptum I

Desisti da poupançazinha.

Verei 2018 pela televisão, mesmo.

Post scriptum II

Esse assunto não está encerrado, voltarei a ele outras vezes, comentando o Qatar (ora, ora, ora), o colégio eleitoral, a vontade missionária da FIFA em levar o futebol para novos mercados (ora, ora, ora), etc.

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